Entre 2015 e 2016, foram lançados 98 documentários nacionais nos cinemas do Brasil. Esse número reafirma o bom momento da produção audiovisual nacional, com uma média de quase um novo documentário lançado por semana. Entretanto, embora a oferta de lançamentos de documentários nos cinemas seja grande, eles ficam restritos a poucas salas nos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, com apenas poucas semanas de exibição. Os números e conclusões a seguir são frutos da análise dos 98 lançamentos nacionais dos dois últimos anos conforme os dados divulgados pela ANCINE.

A primeira constatação interessante é que não há uma correlação entre o número de salas de lançamento e o público total. Ou seja, não há garantias de que, lançando o documentário em mais salas, o público será maior. No período analisado, entretanto, os três filmes lançados em mais salas são, coincidentemente, os que fizeram maior público:

Título Distribuidora Data de Lançamento Salas no Lançamento Público
O Sal da Terra Imovision 26/03/15 40 138.154
Chico – Artista Brasileiro Sony 26/11/15 52 97.697
Cássia Eller H2O Films 29/01/15 47 75.133

Para demonstrar que, no entanto, não há correlação clara entre o número de salas e o público, podemos observar esses três lançamentos:

Título Distribuidora Data de Lançamento Salas no Lançamento Público
Nos Passos do Mestre Vitrine Filmes 24/03/16 8 26,509
Cinema Novo Vitrine Filmes 03/11/16 19 6,641
Quanto Tempo o Tempo Tem Infinito Produções 31/03/16 9 5,955

Apenas para se ter uma ideia de como fica a relação entre número de salas no lançamento e público total, segue a imagem do gráfico de dispersão considerando os 98 lançamentos:

Dispersao_Docs_1

Fonte: OCA/ANCINE

Como podemos observar, os três documentários que atingiram o maior público tiveram uma performance muito distante de todos os outros lançamentos. Do ponto de vista estatístico, poderíamos considerá-los outliers, ou seja, destoam das outras observações e podem causar distorções na hora de analisar.

Entretanto, mesmo eliminando esses três filmes da amostra, ainda não é possível observar correlação entre as duas variáveis:

Dispesao_Docs_2

Fonte: OCA/ANCINE

Sendo assim, é mais produtivo observarmos apenas as informações quanto ao público total. Com os dados depurados, podemos chegar às seguintes conclusões:

  1. Um quarto (25%) dos documentários brasileiros lançados entre 2015 e 2016 nas salas de cinema do país tiveram uma bilheteria inferior a 319 pessoas;
  2. Metade (50%) desses documentários tiveram uma bilheteria inferior a 1.249 pessoas;
  3. Apenas 12 documentários atingiram uma bilheteria maior que 10 mil pessoas;
  4. Observando um gráfico de distribuição normal dos lançamentos de acordo com o público, constatamos que a grande maioria dos documentários nacionais atinge uma bilheteria de até 3 mil pessoas.

Frequencia_Docs

Fonte: OCA/ANCINE

Embora o Brasil esteja numa crescente de oferta de produções de documentários nos últimos anos, essa oferta não se reflete no mercado exibidor, com poucas e restritas salas disponíveis para esse tipo de produto. Adiciona-se a esse cenário, ainda, uma demanda muito restrita para esses conteúdos, que pode ser constatada pelo fato de que o lançamento em mais salas de cinema não se relaciona, diretamente, a um maior público total.

Os produtores de documentários tem que buscar, portanto, outras fontes de receitas e um mercado que tem se mostrado promissor é o de coprodução com canais de TV por assinatura. Um case interessante de sucesso é a parceria entre a Globo Filmes e a Globonews. Em três anos, as empresas possuem 80 documentários em produção com produtores independentes, conforme aponta essa notícia do portal Tela Viva.

Por hoje, é isso galera!

Beijos e abraços!

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